sábado, 21 de novembro de 2015

(publicado originalmente pelo blog enlouqueSer)

 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O suicidio do humorista Fausto Fanti


Eu não costumo falar sobre assuntos populares, mas eu não pude deixar de ficar com o coração quebrado com o suicídio de Fausto Fanti, o Renato da dupla humorística Hermes & Renato. Além dele ter feito parte da minha adolescência (eu assisti todos os episódios deles), ele morreu de uma doença que atinge milhões de pessoas.

Quando alguém se suicida eu não considero que foi uma escolha pessoal, fraqueza, nem coragem, foi apenas o agravamento de uma doença chamada depressão. Eu tenho essa doença desde os 11 anos e agora ainda estou dando os primeiros passos para a melhora, eu também tive minhas crises e tentei me suicidar diversas vezes, mas, não sei porquê, alguma coisa sempre acontecia que me chamava de volta (um telefone, meu cachorro ou um familiar chegava em casa). Infelizmente, ele e muitas pessoas não têm a mesma sorte que eu tive e acabam executando o que a mente doente deseja que eles façam.

A mente não suporta sofrer. Quem gosta né? A mente muito menos. E a nossa cultura é a da mente sofredora, pois não somos ensinados a viver o agora, estamos sempre pensando no ontem e planejando o amanhã. Não fomos ensinados a prestar atenção em nossos pensamentos, sentimentos e dores, em vez disso somos estimulados a beber ou usar drogas para esquecer o incomodo. Tem gente que "vive" muito , desconhecendo a si mesmo, mas outras pessoas não, elas desenvolvem transtornos mentais (que podem ser genéticos também). Para entender melhor o conceito de mente sofredora eu, pessoalmente, recomendo o livro O Poder do Agora do Eckhart Tolle. 

As pessoas falam: "Nossa, um cara do humor,parecia tão feliz, se matar assim", e aí vem aqueles pré-julgamentos e tentativas de justificativa como brigas com a mulher. Porque tem que ter um culpado, é mais fácil culpar um do que admitir que todo mundo envolvido com ele não percebeu o que estava acontecendo (a desinformação sobre isso é o verdadeiro culpado). Dói admitir que você podia ter feito algo, mesmo que forçado para a pessoa, mas não fez. E depois que a mente consegue convencer a pessoa a morrer, não há mais volta para alguns (e quem fica sofre de arrependimento e saudades).
 
A depressão é uma doença muito séria. A mente é capaz de escondê-la em máscaras sociais como o humor, no caso dele, era assim que ele lidava com ela. Eu escrevo, é assim que eu lido com ela. É como ter um carrasco na sua própria cabeça, te lembrando de coisas que você queria esquecer, e fazendo você pensar coisas que não são reais. É muito, mas muito importante que a família esteja atenta aos primeiros sinais de diferença de comportamento e esteja ali, PRESENTE, não precisa dar conselhos (a gente não quer ouvir conselhos ás vezes), mas pelo menos escuta, segura a mão da pessoa, olha nos olhos dela, dá um abraço, mostra que você está ALI, AGORA, que você quer ajudar. Além disso, informe-se, saiba tudo sobre a doença, conheça o inimigo para poder combatê-lo. 
 
Tem gente que acha que depressão não tem cura. Eu também devia ser uma dessas pessoas, mas eu não sou. Eu acredito na cura. Acredito que a cura está dentro da gente, e temos que nos conhecer para alcança-la. A depressão exige um trabalho multidisciplinar com ajuda de remédios, psicoterapia, terapias alternativas e mudança de hábitos e ter uma pessoa ao lado que incentive tudo isso deixa tudo mais fácil. 
 
E não se esqueça: não é porque uma pessoa mostra-se feliz o tempo todo que ela é REALMENTE feliz, a mente dela pode ser uma escuridão completa e você não faz a menor ideia, a depressão faz isso, mas também é uma dolorosa oportunidade de nos mudar, de nos transformar e de enfim descobrirmos que somos muito mais do que dizem por aí.
 
Dedico esse post a todas as pessoas que se suicidaram.
 
 
fonte: blog enlouqueSer

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