quinta-feira, 1 de outubro de 2015



Frio pra cacete. Micro-saia, maquiagem. Tanto empenho e não vem um filho da puta. As duas lá do outro lado já se arranjaram. Será que embagulhei? Mais de três horas aqui e nada.

antes eu esperava, infantil, sem cansar, acreditava

Vou é voltar e traçar um pão com ovo. Mas espera. Tá parando alguma coisa aí. Que merda, um Fiat 147 amarelo. Há há há! O cara é estranho. Me aproximo. Hesito.

tantos anos tanto tempo, quem sabe finalmente vem me levar no parque no bosque no play center

O homem me olha com um olho morto. Dó da criatura. Dó de mim. Notas de 100 reais. Sim, estão ali. Entro. Pigarro. Cheiro de cigarro. Um pequeno demônio expulso do umbral com seu Fiat 147. Tanto tempo na lida, não me acostumo.

não, nunca me acostumei, esperar no infinito o pior de uma pessoa

Pele sebo brilho e cabelo idem. O cara vem pegar puta assim? Mas vejo as notas, vão salvar a semana.

dinheiro te dou faço minha parte, o que mais você quer? quero colo! um olhar um gesto, porra, vou desenhar! pega sua grana e põe no rabo não preciso de ninguém quero meu canto e só

Sempre fazia pra ele. Lembra? A gema não podia ser mole nem dura. E eu acertava toda vez. Meu pai comia com gosto. Segundos de um olhar recíproco, uma brisa de alegria.

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